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O Pentateuco e as artes tipográficas em Faro

Sabia que em Faro foi impresso o primeiro livro em Portugal? Agora pode descobrir mais sobre este momento marcante no Núcleo Histórico da Imprensa de Gutenberg e do Pentateuco de Faro onde está patente a Exposição para a Difusão do Conhecimento.

O Pentateuco foi o primeiro livro impresso em Portugal, por Samuel Gacon, na sua oficina tipográfica em Faro, à data de 1487. Trata-se da impressão, em língua hebraica, da Torá (designação dos judeus ao Pentateuco, os cinco primeiros livros da Bíblia) e cujo original está patente na British Library de Londres.

A exposição inclui a edição ‘fac-simile’ do Pentateuco produzido pela editora Sul, Sol e Sal

Mas porquê em Faro e em que contexto? Segundo o historiador Teodomiro Neto, nos finais do séc. XV, Faro era considerada uma «vila régia de grande prosperidade»1 e Samuel Gacon tinha a sua oficina tipográfica na judiaria, uma das mais notáveis do País, com ligações comerciais a várias cidades da Europa, o que terá facilitado o acesso à inovação de Gutenberg e à arte da impressão. Sabe-se que no último quartel do século XV, Samuel Gacon editou pelo menos mais dois livros em Faro.

Réplica do prelo de Gutenberg, cedida pela Fundação Portuguesa das Comunicações, semelhante à que terá sido usada por Samuel Gacon.

Segundo a investigadora Patrícia de Jesus Palma, «a expulsão da comunidade judaica, por decreto de 1496, determinou, para a região, o fim da sua epopeia artístico-tipográfica»2, acrescentando que apenas no séc. XIX a oficina tipográfica voltaria a estabelecer-se no Algarve.

Segundo a investigação de Patrícia de Jesus Palma, «o ritmo da expansão da atividade tipográfica no Algarve foi tímida até finais da década de 1860, embora, desde as décadas de 1830 e 1840, existissem oficinas a laborar na capital de distrito de forma ininterrupta»3. A atividade tipográfica em Faro torna-se bastante significativa no último quartel do século XIX4 e segundo o historiador Artur Ângelo Barracosa Mendonça, assume algum esplendor no início do século XX5, identificando-se 12 tipografias entre 1900-1930. Estas tipografias procuravam muitas vezes dinamizar os seus negócios com a criação de jornais, com destaque para o surgimento de O Algarve (fundado em 1908) e de Folha de Domingo (fundado em 1914), os dois mais antigos da região.

Pode ficar a conhecer mais sobre esta temática no Núcleo Histórico da Imprensa de Gutenberg e do Pentateuco de Faro. A exposição pode ser visitada de terça-feira a sábado, entre as 10H00 e as 17H00 e ao domingo entre as 10H00 e as 15H00.

Texto: Davide Alpestana

Fotografia: Ricardo Bernardo

Referências Bibliográficas

1 Noticia Folha de Domingo: conferência sobre 525º aniversário da impressão de Samuel Gacon. Disponível em:https://folhadodomingo.pt/faro-assinalou-525o-aniversario-da-impressao-de-samuel-gacon-a-primeira-em-portugal-com-fotos/

2 PALMA, Patrícia de Jesus, 2013, «Restauração e imprensa no Algarve (1808-1811): um impressor, a independência de duas nações»

3 PALMA, Patrícia de Jesus, 2016, «Contributo para a história da edição contemporânea em Portugal: a emergência da edição impressa na periferia, o caso do Algarve (1808-1910)»

4 Quadro I – Cronologia e Distribuição Geográfica da Tipografia do Algarve (1808-1910) in PALMA (2016: pp. 163-169).

5 MENDONÇA, Artur Ângelo Barracosa, 2008, «A Produção de Livros numa região periférica: o Algarve nas primeiras décadas do século XX (1900- 1930)».

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